Confraria do Atum

Quinta-feira, Fevereiro 08, 2007

Para os indecisos...

É bom que saibam na linha de pensamento que estão a votar se dia 11 de Fevereiro votarem não. Aqui vai o meu contributo cujo mérito é totalmente atribuído a João César das Neves (JCN). Como sabem, este senhor acaba (Janeiro de 2007) de publicar um livro intitulado “Aborto, uma abordagem serena”. Como este é um dos mais fervoroso adeptos do Não em Portugal, tendo um poder considerável dentro do movimento, deixo-vos aqui algumas passagens deste seu ensaio, chamemos-lhe assim, que expressa, no fundo, a visão daqueles que estão na frente da batalha do não. Obviamente que os excertos, saindo do texto integral, surgem descontextualizados. Mas, acreditem, até é um favor que vos faço. Os meus comentários estão entre [ ]
Diz JCN na apresentação do dito:

A questão do aborto é uma das mais controversas e perturbadoras do nosso tempo na sociedade ocidental. É a primeira vez na História que se cria uma forte polémica à volta da permissão legal para realizar abortos em instituições de saúde. [será a isto que os do não se referem quando dizem que Portugal é pioneiro?]
(…)
Primeira exigência
(…) o ponto de partida de uma abordagem séria e profícua da triste e complexa questão do aborto tem de ser uma abertura ao diálogo tranquilo e construtivo com as posições opostas. [certamente foi nesta abertura e tranquilidade que JCN chamou estúpido ao Daniel Oliveira num debate sobre o referendo na TSF]

Segunda Exigência
O segundo elemento decisivo para conseguir essa abordagem serena é a escolha clara de um dos lados. (…) Vemos hoje muitos, neste como noutros assuntos, que julgam apresentar uma atitude ponderada e branda simplesmente evitando a questão. Mas a moderação em assuntos vitais e brandura perante questões terríveis é cegueira, cobardia ou aberta desonestidade
. (…) [Tenho para mim que se está a referir à facção do Não que, numa atitude desonesta, quer escamotear o problema com a hipocrisia da suspensão dos julgamentos ou o trabalho a favor da comunidade].
(…)
A posição assumida
Este livrinho
[estamos de acordo] pretende, pois, fazer uma abordagem serena das questões do aborto. Mas parte de uma posição simples e bem vincada. Defende empenhadamente a posição da Igreja Católica sobre esse tema (…). [Ora, agora é que vamos ser claros…]

Na pág. 32, JCN diz que “Não devemos julgar as pessoas; temos o dever de condenar os actos”. Traduzindo, o que Deus perdoa, o Direito deve condenar… A subversão do espírito cristão que para aqui vai.
Na pág. 103 afirma que “Indiscutivelmente, o aborto, juntamente com os outros ataques contra a vida está entre os mais sérios crimes contra a vida, está entre os mais sérios candidatos a ser o crime do nosso tempo. (…) O que se joga neste debate não é, pois, uma questão menor. O aborto é o crime desta geração. É um crime de liberalização, é um crime por razões económicas, é um crime feminista, é um crime médico”. Certamente que Marcelo Rebelo de Sousa, que defende convictamente o facto de a mulher não ser uma criminosa, embora vá votar Não, quando apresentou o livro de JCN citou esta passagem.
Depois de dizer que “Nunca se achou que o prazer sexual tivesse de ser aguçado. Ele necessita é de ser controlado” JCN fala-nos de evolução e revolução sexual…

Após falar nos beijos em espaço público e no fato de banho a mostrar as pernas, diz:

(…) Vale a pena traçar os termos desta evolução porque nos ajuda a compreender a situação actual. (…) Poucos anos depois, a luta era para conseguir liberalizar o divórcio e libertar o cinema. Mas os que defendiam que estas coisas eram «boas e modernas» abominavam o aborto e a homossexualidade. Hoje, muitas pessoas acham que o aborto e a homossexualidade «não têm mal nenhum», mas consideram horríveis a pedofilia e a violação. (…) [Ainda havemos de chegar ao dia em que se dá Educação sexual nas escolas. Cruzes.]

Finalmente diz tudo o que o inquieta:

Os problemas do aborto, mas também os da educação sexual, das uniões de facto, do divórcio e dos homossexuais, entre tantos outros, estão a tornar-se dominantes na esfera parlamentar (…)

Sobre a contracepção:

"A pílula do dia seguinte (...) é o aborto dos previdentes"
"(...) a pílula é a eliminação dos que nem sequer têm rosto (...)"

Na página 65 fala da abominação do planeamento familiar ter a ver com sexo (dahhh) e condena os especialistas que falam no prazer genital.

E remata

A finalidade natural do sexo é, indiscutivelmente a procriação. (…) A contracepção e o aborto são, evidentemente, contra-natura (…).

Percebem, agora, a real posição do não em relação à contracepção e à penalização das mulheres?
Obrigada JCN